Impostos sobre Apostas Online em Portugal: IEJO, Taxas e O Que o Jogador Paga

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O Regime Fiscal das Apostas Online em Portugal
Se há tema que gera confusão entre apostadores portugueses, é o dos impostos. Nos dez anos que levo a acompanhar este mercado, já ouvi de tudo – desde “os ganhos são todos isentos” até “o Estado fica com metade”. Nenhuma das duas versões é verdade, e a realidade é simultaneamente mais simples e mais interessante do que a maioria imagina.
Portugal regulamentou o jogo online em 2015 através do Decreto-Lei 66/2015, criando um dos regimes fiscais mais específicos da Europa para esta atividade. O imposto sobre apostas desportivas é de 8% sobre o volume total de apostas, enquanto o casino online paga 25% sobre a receita bruta. Estes valores são pagos pelo operador, não diretamente pelo jogador – mas, como em qualquer imposto sobre a atividade, acabam por influenciar as odds e condições oferecidas.
Entender este regime não é um exercício académico. Afeta diretamente o valor que recebes quando ganhas uma aposta, a competitividade das odds dos operadores portugueses face aos internacionais, e a sustentabilidade de todo o ecossistema regulado.
IEJO: O Imposto Especial de Jogo Online
Em 2025, o IEJO – Imposto Especial de Jogo Online – atingiu o recorde de 353 milhões de euros, um aumento de 5,47% em relação a 2024. Esse número, por si só, revela o peso económico que o setor das apostas online tem em Portugal e o motivo pelo qual o Estado tem interesse direto em manter e expandir o mercado regulado.
O IEJO funciona de forma diferente para apostas desportivas e para casino online. Nas apostas desportivas, a taxa é de 8% sobre o volume total apostado – não sobre os ganhos do operador, mas sobre todo o dinheiro que entra em apostas. Isto é um ponto fundamental que muitos confundem. Se um apostador coloca 100 euros em apostas ao longo de um mês, o operador paga 8 euros de imposto independentemente de ter tido lucro ou prejuízo com esse apostador.
No casino online, a base de tributação é diferente: 25% sobre a receita bruta (o que o operador ganha depois de pagar os prémios). Esta diferença de modelo fiscal explica porque é que as apostas desportivas em Portugal têm odds ligeiramente menos competitivas do que em mercados com impostos mais baixos – o 8% sobre o volume é um custo fixo que o operador incorpora na margem.
Cerca de 20% da receita do IEJO é canalizada para o financiamento das federações desportivas. É um detalhe que poucos apostadores conhecem: parte do imposto gerado pelas apostas que fazes regressa ao desporto que acompanhas. Em termos absolutos, estamos a falar de mais de 70 milhões de euros por ano canalizados das apostas para o financiamento desportivo.
O Que o Jogador Paga: Tributação sobre Ganhos
Esta é a pergunta que todos fazem: “Tenho de pagar imposto quando ganho uma aposta?” A resposta curta é que, em Portugal, os ganhos em apostas desportivas e jogos de fortuna ou azar online não estão sujeitos a tributação adicional em sede de IRS para o jogador individual. O imposto é pago pelo operador através do IEJO.
No entanto, há nuances importantes. O regime atual aplica-se a operadores licenciados pelo SRIJ. Se um apostador joga num operador sem licença portuguesa, está fora do enquadramento legal – o que significa que, além dos riscos de segurança e proteção do consumidor, pode haver implicações fiscais não previstas.
Outra nuance: o limiar a partir do qual os ganhos poderiam ser considerados rendimento profissional. Não existe uma definição legal clara em Portugal sobre quando um apostador deixa de ser recreativo e passa a ser profissional. Na prática, para a esmagadora maioria dos apostadores, esta questão é irrelevante – mas para quem faz das apostas uma atividade sistemática com ganhos regulares e significativos, vale a pena consultar um contabilista.
O que o jogador paga indiretamente é a margem embutida nas odds. O 8% de imposto sobre o volume é um custo que o operador não absorve sozinho – transfere-o, parcialmente, para as odds oferecidas. Na prática, isto significa que as odds num operador português licenciado podem ser ligeiramente inferiores às de um operador num país com regime fiscal mais favorável. Essa diferença é o preço da regulação, da segurança e da proteção que o sistema licenciado oferece.
Para Onde Vai a Receita do IEJO
Ricardo Domingues, presidente da APAJO, tem repetido que os dados de 2025 confirmam uma desaceleração do crescimento do mercado, característica de um setor que entra em fase de maturidade. Essa maturidade reflete-se também na receita fiscal: o IEJO cresce, mas a um ritmo cada vez menor.
Os 353 milhões de euros arrecadados em 2025 distribuem-se por várias rubricas. A já mencionada fatia para as federações desportivas é a mais visível, mas o IEJO contribui também para o Orçamento do Estado e para programas de prevenção e tratamento de comportamentos aditivos relacionados com o jogo.
Há um argumento que merece reflexão: o IEJO é, simultaneamente, o motor financeiro que sustenta a regulação e um dos fatores que torna os operadores legais menos competitivos face aos ilegais. Operadores sem licença não pagam imposto e podem, por isso, oferecer odds mais atrativas. É um paradoxo regulatório que as autoridades portuguesas enfrentam continuamente – e que explica porque o combate ao mercado ilegal é uma prioridade declarada do SRIJ.
Para o apostador individual, o mais relevante é compreender que o IEJO não é um custo que recai diretamente sobre os ganhos, mas um custo sistémico que influencia a competitividade das odds. Apostar em operadores licenciados pelo SRIJ significa aceitar esse custo em troca de proteção regulatória, acesso a mecanismos de jogo responsável e a garantia de que os seus fundos estão seguros.
Numa perspetiva de longo prazo, o IEJO é também um termómetro da saúde do mercado regulado. Um imposto que cresce a ritmo sustentável indica que o setor está a captar mais atividade para o enquadramento legal – o que beneficia todos, desde o Estado que arrecada receita até ao apostador que joga num ambiente protegido. Quando o crescimento desacelera, como aconteceu em 2025, é sinal de que o mercado está a amadurecer e que a concorrência com o segmento ilegal continua a exercer pressão sobre o modelo regulatório.
Perguntas Frequentes
Os ganhos em apostas desportivas são tributados em Portugal?
Para o jogador individual, os ganhos em apostas desportivas realizadas em operadores licenciados pelo SRIJ não estão sujeitos a imposto adicional em sede de IRS. O imposto sobre a atividade – o IEJO – é pago pelo operador. No entanto, para apostadores com ganhos regulares e significativos, é aconselhável consultar um profissional fiscal.
Qual é a taxa de imposto sobre apostas desportivas em Portugal?
A taxa do IEJO para apostas desportivas é de 8% sobre o volume total apostado. Para casino online, a taxa é de 25% sobre a receita bruta do operador. Ambas as taxas são pagas pelo operador, não pelo jogador, mas influenciam indiretamente as odds e condições oferecidas.
Criado pela redação de «FutAposta».
